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18 setembro 2020

Dor no ombro: do diagnóstico ao tratamento

A dor no ombro é um dos motivos mais frequentes de consulta em Ortopedia. Para além dos eventos traumáticos que podem resultar em fraturas ou luxações, outras condições de sobrecarga, microtraumatismos repetitivos ou alterações degenerativas podem ser causa de dor e limitação da função desta articulação.

Após uma queda, a dor persistente nesta região pode dever-se à ocorrência de uma fratura, sendo as fraturas do úmero proximal as mais frequentes, sobretudo a partir dos 65 anos. Em indivíduos mais jovens, destacam-se as fraturas da clavícula ou da grande tuberosidade do úmero, assim como as luxações acrómio-claviculares e as luxações do ombro. Neste contexto, é importante uma avaliação numa fase aguda recorrendo ao serviço de Urgência para um diagnóstico e tratamento atempados que evitem as complicações decorrentes de uma atuação tardia. Dependendo da lesão, o tratamento conservador com uma imobilização temporária e reabilitação poderá ser suficiente, ainda que lesões mais graves possam necessitar de tratamento cirúrgico para uma recuperação funcional completa.

Determinados esforços excessivos podem também causar lesões nesta região, sobretudo ao nível da coifa dos rotadores. As roturas agudas traumáticas dos tendões são relativamente pouco frequentes, mas o seu diagnóstico e tratamento precoces permitem recuperar o ombro para o mais próximo possível do seu estado pré-lesão, sendo comum a necessidade de reparação com recurso a técnicas cirúrgicas minimamente invasivas como a artroscopia.

No entanto, a dor no ombro surge mais frequentemente sem um evento traumático significativo associado, sendo progressiva, insidiosa e por vezes agravando por surtos, com períodos de relativa melhoria, seguindo-se um agravamento sucessivo. Existem várias causas para a sua ocorrência, sendo que as mais frequentes podem dividir-se segundo alguns grupos etários.

Em adolescentes e adultos jovens, os fenómenos de instabilidade resultantes quer de eventos traumáticos agudos, quer de microtraumatismos repetitivos a que se pode ainda associar uma laxidez articular excessiva são das causas mais frequentes de omalgia. Determinados desportos podem ser mais suscetíveis a estas lesões, como desportos de arremesso (basebol, ténis, lançamento) ou que exijam a elevação dos braços (basquetebol, voleibol, andebol). Tratamentos que incidem sobre a melhoria da coordenação e reforço muscular à volta do ombro, mas também de toda a estrutura do tronco, anca e membros inferiores, podem ser determinantes para ultrapassar estas lesões. Em casos mais graves, técnicas artroscópicas permitem tratar várias patologias minimizando a agressão dos tecidos e facilitando a recuperação.

Em adultos acima dos 40-50 anos, os tendões da coifa dos rotadores – conjunto que confere estabilidade e mobilidade – são a principal causa das queixas apresentadas. A tendinopatia representa um estado de degeneração progressiva, que pode evoluir para roturas parciais ou completas com possível deterioração funcional. Para cada fase destas lesões, possibilidades de tratamento conservador ou cirúrgico são tidas em conta de forma a obter a melhor recuperação. Também nestes casos, a artroscopia tem demonstrado um papel importante na caraterização e tratamento compreensivo das lesões da coifa dos rotadores. Outras condições extremamente incapacitantes, como a tendinite calcificante, surgem também nesta faixa etária e beneficiam de um seguimento e orientação pelo ortopedista.

A patologia degenerativa articular – artrose – é mais comum a partir dos 60 anos caraterizando-se pela dor e perda da mobilidade ativa e passiva, manifestando-se frequentemente com rigidez e crepitações. Nesta faixa etária, pode incluir-se também a artrose provocada por roturas crónicas da coifa dos rotadores, ou a limitação funcional persistente resultante do não-funcionamento destes músculos. Apesar dos tratamentos de reabilitação serem considerados a primeira linha, a avaliação pelo ortopedista permite um acompanhamento progressivo que pode incluir a necessidade de infiltrações para alívio sintomático temporário, ou de um tratamento definitivo através da substituição articular com utilização de próteses – a artroplastia. Existem várias opções para este efeito, de acordo com a patologia de base e o seu grau de evolução, incluindo as artroplastias invertidas que permitem a recuperação da função de um ombro desprovido do efeito estabilizador dos tendões da coifa dos rotadores.

Redigido por Dr. Bernardo Nunes (OM55126), Ortopedista especializado em Ombro no Trofa Saúde Hospital da Trofa e Dr. Nuno Vieira Ferreira (OM44214), Ortopedista especializado em Ombro no Trofa Saúde Hospital da Trofa, Barcelos, Braga Centro e Braga Sul

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